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1 de novembro de 2009

Festim Diabólico



Dois mauricinhos resolvem cometer um crime "perfeito" e convidam pessoas próximas da vítima para mostrarem sua superioridade e inteligência. Mas quem mostra inteligência é Hitchcock, que faz um filme de suspense e assassinato sem mostrar uma gota de sangue.

O primeiro filme em cores de Alfred Hitchcock é quase uma peça teatral. Dois amigos cometem um assassinato e escondem o corpo da vítima no apartamento. Não bastasse isso, ainda convidam o pai da vítima, sua noiva e um antigo professor para uma festinha no mesmo apartamento.Tudo pelo simples prazer de provar que eram mais inteligentes que os outros, que ficariam na festa e nem desconfiariam que no mesmo cômodo há um cadáver.


A estória é contada em tempo real, ou seja, o filme tem 80 minutos de duração e narra os acontecimentos dos 80 minutos daquele fim de tarde. A idéia (genial) de Hitchcock era mostrar que o baú que continha o corpo da vítima não seria retirado do local sem que os espectadores percebessem, pois atores e o baú estariam em cena o tempo todo. Dizem que o filme inteiro é um plano-seqüência só, o que não é verdade. "Festim Diabólico" foi filmado em tomadas de quatro a dez minutos (que era a quantidade de filme que a câmera suportava), depois o filme foi montado de modo a parecer que não houveram cortes.



Como todo filme do Mestre do Suspense, o clima tenso predomina durante uma hora e vinte minutos, e ficamos na dúvida se realmente eles deixaram o corpo no baú o tempo todo ou não. James Stewart, que é um dos atores preferidos de Hitchcock, está muito bem no papel do professor que ensinou valores importantes, mas que foram deturpados pelos alunos maníacos.

23 de setembro de 2009

Topázio


Muitas pessoas implicam com Topázio, seja pelo elenco (sem nenhuma estrela e formado basicamente por atores e atrizes não-americanos) ou pelo final, que deu o que falar na época do lançamento (final da década de 60). Em plena Guerra Fria, o filme também mostra os americanos receosos com a aproximação União Soviética com Cuba, mas os mesmos americanos conseguem um trunfo quando um oficial russo de alto escalão, não concordando com os rumos que seu país levava, deserda levando consigo muitos segredos, entre eles, Topázio (nome do grupo de oficiais do governo francês que colhia informações para o lado soviético). O problema é que a França estava neutra na Guerra Fria, e assim gostaria de permanecer.

O clime de suspense é constante no filme inteiro, imagino que seria melhor ainda se assistisse a ele durante a Guerra Fria mas por algum motivo o filme não fez o sucesso desejado. Pessoas diziam que o filme não era um 'Hitchcock', e na exibição prévia (onde os executivos testam o filme para uma platéia reduzida antes de lança-lo em grande escala) muitos reclamavam de cenas muito longas e do final original. Na verdade, foram feitos três finais diferentes: no original, havia um duelo - daqueles típicos do velho oeste - entre dois agentes franceses, e um outro onde o agente digamos, traidor, se suicidava. O terceiro não vou comentar pra não estragar a surpresa.

Espionagem, traição, mortes... o filme tem vários elementos 'hitchcockianos' além de seqüências muito bem executadas, como a conversa na floricultura, e na recepção do hotel - onde apenas observamos (e não ouvimos!) duas conversas essenciais pra estória do filme.
O crítico americano Leonard Maltin disse muito bem: "É um filme de segunda linha de Hitchcock, mas poderia ser um filme de primeira linha de qualquer outro diretor". E é isso mesmo.